domingo, 17 de fevereiro de 2013

Porque um jovem vira criminoso?

(por Diego C., professor do Cursinho Lima Barreto)

Um fato me deixa com a pulga atrás da orelha, tenho 30 anos de idade e desde que sou pequeno vejo notícias sobre crimes cometidos por adolescentes e pessoas jovens. O Brasil se gaba de ter conseguido universalizar boa parte da educação básica, além de ter retirado uma parte considerável da população do estado de miséria e ainda assim, há pessoas muito jovens entrando no mundo do crime.
Não resta dúvidas de que um sistema econômico desigual é um dos grandes responsáveis por este fato, basta olhar para as crianças de rua. Quantas daquelas crianças que cheiram cola e pitam crack nas calçadas nasceram em berço de ouro e estudaram nas melhores escolas? Ou quantos dos jovens na “Fundação Casa” cresceram nos lares mais ricos da cidade? E quantos são oriundos de bairros pobres?
Mas a pulga continua incomodando, pois, o fator econômico, embora seja uma variável importante, por si só não explica a reprodução da violência entre as novas gerações, afinal, é comum que em uma mesma casa haja um irmão criminoso, enquanto um outro virou assalariado.
A resposta mais fácil para esta questão é a tal da índole. Tal conceito é confuso e quando aparece, ninguém sabe determinar direito sua causa, um dirá que é genético, outro dirá que tem a ver com a alma, outro ainda que tem a ver com os traumas de infância, porém, todos irão concordar que se um irmão se torna criminoso, enquanto todo o resto da sua família é trabalhadora, é porquê, de certa forma, ele tem má índole.
Não vem ao caso aqui discutir se má índole existe ou não, porém, mesmo não descartando sua existência, será que toda pessoa que vai para o caminho do crime age de tal forma porquê tem a tal da índole ruim?
Ao meu ver, esta explicação tem muitos furos. Há muitos exemplos de jovens e adultos que tiveram uma oportunidade e conseguiram sair do mundo do crime, ora, se tais pessoas fossem más por natureza, será que teriam condições de melhorar? Além disso há criminosos cruéis que quando são pegos, sua família e amigos correm em sua defesa, demonstrando que embora o sujeito tenha sido um fascínora contra suas vítimas, em outros círculos ele sempre foi uma pessoa boa e amável. Se um sujeito destes tivesse má índole, seria mau todo o tempo e em todo lugar, ao invés de ser um cidadão exemplar boa parte do tempo e cometer seus crimes apenas contra vítimas selecionadas.
Descartada a explicação da índole como o fator chave para o surgimento de novos criminosos, não me resta outra alternativa que não a de examinar o próprio lugar onde cresci no Bairro dos Pimentas.
Desde o início dos anos 90, quando fui morar na região, tinha um pessoalzinho envolvido com roubos de carros. Enquanto os pais das crianças da vizinhança saiam cedo e voltavam tarde de seus longínquos empregos, os bandidos ficavam nas ruas desfilando suas roupas de marca, suas motos e automóveis envenenados com sons potentes. Alguns deles eram tios, primos e irmãos de tantas das crianças do pedaço e não era incomum vê-los pagando uma tubaína para seus priminhos, ou ainda levarem as crianças para passearem na garupa, no banco do passageiro, etc. Eles podiam ser bandidos para suas vítimas, mas para boa parte das crianças da vizinhança eram verdadeiros heróis.
Uma criança carente da atenção dos pais ausentes por causa do trabalho, começa a mendigar a atenção de seu herói mais próximo, começa a se meter nas rodas de conversa dos mais velhos, fingir que está entendendo tudo, a olhar fascinado a exibição de potentes motores e aparelhos de som e passa a se sentir orgulhoso quando pedem sua ajuda para pisar num acelerador, levantar a tampa de um motor, etc.
Uma bela noite, seus primos vão desmanchar um carro e lhe darão vinte reais por sua ajuda, outro dia deixam-no manipular e atirar com uma arma de fogo, etc. Outro dia lhe protegem de um menino mais velho que queria lhe bater. Aquela criança cresce dentro de uma paisagem cultural onde a bandidagem, longe de ser vista como um mal do qual deva se afastar, é tida como algo natural. Se não tiver a orientação de um adulto mais pé no chão, quando crescer um pouco e quiser ir para uma festa, comprar drogas, ou até mesmo impressionar as meninas com uma roupa de marca, ou, dependendo da idade, com um veículo, começa a fazer pequenos trabalhinhos sujos.
Assim, aliado ao fator econômico, temos um fator cultural que contribui para a reprodução da violência e da criminalidade. Por um lado, por motivos econômicos um grupo não consegue oferecer tantas oportunidades para suas crianças e por outro lado, os membros criminosos daquele grupo e que tem mais disponibilidade de interagir com as crianças, podem acostumá-las com a ideia de que o bandido é um cara legal e corajoso, e dependendo da trajetória de cada criança, das oportunidades que teve na escola, da atenção que recebeu da família, da relação que estabeleceu com pessoas honestas e criminosas, com os costumes dos colegas com quem anda, ela terá maiores ou menores chances de entrar no mundo do crime.
Se esta tese estiver correta, significa que nossa sociedade, sem se dar conta, está ensinando algumas de suas crianças a serem bandidos. Porém, ainda há um aspecto desta explicação que me incomoda muito, se a grande maioria das pessoas são honestas e há tantos exemplos positivos para as crianças seguirem, inclusive de pessoas interessadas na educação dos menores, como é que o bandido consegue ter tanta influência? O que é que o bandido faz pelas crianças, que nós pessoas honestas não fazemos?
Mesmo não conseguindo eliminar de vez esta incômoda pulga, há algo que julgo fundamental. A criança deve ter o direito de se desenvolver plenamente, tendo acesso aos melhores frutos de nossa cultura e assim conseguir atingir seus melhores potenciais. Qualquer política que trate a educação como uma simples forma de diminuir a criminalidade, desconsiderando este direito, corre um sério risco de estigmatizar todo um grupo social, criando expectativas negativas sobre crianças, ao invés de apoiá-las no desenvolvimento daquilo que elas tem de melhor.

Um comentário:

  1. Na verdade tirando os casos psíquicos,nem todos humanos são 100% ruim e nem 100% bom,isto já da para ter uma base.É tanto que complexo falar o por que os jovem viram criminosos,há cada década as situações muda de figura e as politicas sociais não acompanha estas mudanças ate porque este tipo de politica há muito tempo esta atrasada em relação a sociedade.No meu entender um dos motivos que vai de encontro com o do camarada é a questão financeira também é lógico que tem muito mais que isto envolvido.Eu também fico tentado entender esta questão social e as vezes começo a fazer as comparações,há não muito tempo atrás eu me lembro de ver muitas crianças nas ruas inclusive eu era uma delas,mais tinha um detalhe, eu tinha uma sensação que uma pessoa me olhava o tempo todo e não era uma pessoa qualquer,este olhos dos quais eu estou me referindo era os olhos da minha mãe,mais algumas décadas atrás não era só a questão do pai ou da mãe toda sociedade tinha esta preocupação a comunidade cuidava do filho da vizinha com se fosse dela e hoje já não é a mesma coisa.Bom voltando para linha e tentando compreender esta sociedade infanto juvenil,antes o pai saia para busca o alimento este era o papel do pai,enquanto a mãe era responsável pela administração do lar,isto tudo ocorra quando o Brasil ainda não era a 6ª economia mundial,hoje em dia
    com mundo globalizado e um capitalismo selvagem obriga não só o pai mais a mãe a sair para buscar o alimento e pagar outras contas que o sistema capitalista nos em pois ,e agora José,as crianças já não podem ficar nas ruas,elas são presas fáceis não tem a mãe para proteger o vizinho não quer saber o Governo não investe no ensino educacional das crianças da maneira correta.As pessoas que ler isto vai falar mais o Governo tá dando um monte de incentivo bolsa isto, bolsa aquilo, temos o programa jovem aprendiz.Falar da realidade é uma coisa e viver a realidade e outra,qual país de verdade gostaria de ver um jovem que é o futuro de uma nação ser escravo do sistema,o jovem tem que estar é nas salas de aulas aprendendo a importância da sociedade é não sendo escravizado por dois sistema maléficos,dentro do sistema capitalista o jovem trabalha 6 horas por dia para ganhar menos que um salário mínimo e dentro do sistema do crime que também é capitalista o jovem e a crianças faz o mesmo, e dentro da concepção ele também trabalha a mesma quantidade de horas e ganha o dobro o que ele demoraria um mês para ganhar,então este também é um dos motivos do aumento da criminalidade se pararmos e fazermos uma Análise vamos ver que não é só o jovem que faz esta leitura,quando saímos de madrugada para trabalharmos saímos em busca de um dia termos nossa casa,carro boas roupas irmos ao restaurante com a família etc...o jovem faz esta leitura só não leva em consideração é o fato que o cidadão que ele esta furtando na maioria das vezes vive na mesma condições que o dos seus próprios pães.Outra coisa é a questão das drogas químicas que tem contribuído e muito para o aumento da violência esta sim não tem classe social agora!Porque não muito tempo atrás ela tinha,quando se falava de drogas o Governo e as classes média e ricas apontava o dedo em direção das favelas e periferias e logo virava as costas para nos,hoje as DROGAS estão em todas as classe mais mesmo assim eles nos ignoram e continua a nos exterminar com se isto fosse resolver este câncer,á única saída que eu vejo, meu camarada Diego e a longo prazo e com uma mobilização da comunidade em geral é no ensino educacional e sem demagogia do nossos governantes,porque o extermínio da nossas crianças e juventude não ira salvar a nossa nação,bom esta é uma pequena leitura que eu faço desta questão que envolve a juventude,com eu disse é complexa!!!

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